Para tranquilizá-lo, sentei ao seu lado. Tremíamos. Pensei em colocar a cabeça dele no meu colo, tomar suas mãos, cantar, fazer carinhos. Mas só consegui ficar muito próxima. De alguma forma, eu queria dizer que tudo aquilo importava pouco. Se soubéssesmos controlar a nós mesmos, ao nosso terror, e poupar o gasto exagerado de tudo que tínhamos armazenado, nada aconteceria.
— Caio Fernando Abreu (via
partedopercurso)
(Source: des-centralizar, via partedopercurso)
A saudade é insistente, constante, impiedosa. Presente pela ausência, bem como pela inexistência, não respira um ser que não seja com saudade. E dói, aperta o peito, revira o estômago, bagunça a cabeça. A saudade vem de quem foi, sem poder ficar. E de quem tinha tudo pra ficar, mas não ficou. Saudade de quem ficou, mas não está. E de quem nunca veio, mas também não me levou. Saudade sem motivo, só por lembrar. Ou do que nem existe, só pra inventar. De tudo que ficou e do que nos cabe imaginar, saudade boa mesmo, é de quem foi, mas que já tem hora pra voltar.
— Cordialmente (via
partedopercurso)
(Source: cordialmente, via partedopercurso)